A integração em larga escala de Inverter-Based Resources (IBRs) — como eólicas e solares conectadas por conversores — está mudando a forma como o sistema elétrico se comporta durante distúrbios. Isso traz benefícios importantes para a transição energética, mas também cria um ponto de atenção técnico: métodos tradicionais de localização de faltas (fault location), consagrados em redes com alta participação de máquinas síncronas, podem apresentar queda de desempenho em cenários com forte presença de IBRs.
Este tema é discutido em profundidade no artigo da Conprove:
Por que a localização de faltas fica mais complexa com IBRs?
Em sistemas convencionais, a contribuição de curto-circuito de geradores síncronos tende a ser mais elevada e previsível, o que favorece algoritmos baseados em grandezas elétricas (tensão/corrente) e modelos de linha. Já os IBRs:
- limitam a corrente de falta (corrente controlada/limitada pelo conversor)
- têm dinâmica de controle que pode alterar a resposta durante a falta
- podem operar com estratégias como grid-following ou grid-forming, afetando a forma de onda e o “perfil” do evento
- tornam alguns indicadores tradicionais menos “limpos” para estimação de distância até a falta
Na prática, isso pode impactar a confiabilidade e a repetibilidade da localização, especialmente quando a rede fica “mais inverter-dominant”.
Impactos nos métodos mais usados
1) Métodos baseados em impedância / fasores
São amplamente usados por sua simplicidade e integração com relés e registradores. Porém, com IBRs, podem sofrer com:
- erros de estimação por mudança na relação V/I durante a falta
- maior sensibilidade a resistência de falta, infeed/outfeed e condições de operação
- maior variação entre eventos, dependendo do controle do conversor e do ponto de conexão
2) Métodos por ondas viajantes (Traveling Waves – TW)
Métodos TW tendem a ser muito precisos quando há boa observabilidade dos surtos e alta qualidade de aquisição/tempo. Em cenários com IBRs, desafios típicos incluem:
- maior complexidade para identificar eventos e reflexões em casos específicos
- necessidade de sincronismo robusto e instrumentação adequada
- maior exigência de qualidade de medição e processamento
3) Single-ended vs Double-ended
- Single-ended (um terminal): mais simples de implantar, mas pode ser mais sensível à “assinatura” do sistema com IBRs.
- Double-ended (dois terminais): costuma ganhar robustez ao combinar medições de ambos os lados, porém requer comunicação e sincronismo bem implementados.
Tendências e caminhos práticos para aumentar a robustez
O artigo destaca (e o mercado reforça) uma direção clara: abordagens híbridas e arquiteturas mais instrumentadas.
Algumas tendências fortes:
- estratégias multi-método (combinar fasores + TW + lógica de consistência)
- maior uso de medições sincronizadas (ex.: PMU/tempo de alta precisão)
- validações sistemáticas por meio de testes reproduzíveis, com evidência técnica e relatórios padronizados
- evolução de algoritmos para lidar melhor com limitação de corrente e dinâmica de controle dos IBRs
- aumento do uso de dados de alta taxa e melhores práticas de engenharia de tempo (sincronismo)
Checklist de engenharia (o que revisar no seu projeto/rotina)
Para equipes de proteção, automação e comissionamento, vale revisar:
- Topologia e nível de penetração de IBR no corredor de transmissão
- Requisitos de sincronismo (tempo) e qualidade das medições
- Critérios de escolha entre single-ended e double-ended (comunicação disponível? latência? confiabilidade?)
- Validação do método para diferentes condições: alta Rf, variação de carga, diferentes níveis de geração IBR
- Existência de procedimentos de teste e relatórios que garantam rastreabilidade e repetibilidade
Conclusão
A localização de faltas continua sendo um recurso crítico para reduzir tempo de recomposição, orientar equipes de campo e apoiar a confiabilidade do sistema. Com a expansão dos IBRs, o ponto não é “substituir tudo”, e sim evoluir critérios, instrumentação e validação, adotando abordagens mais robustas e comprováveis.
Para uma visão completa dos desafios e tendências, leia o artigo:





























